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Questão pública

Língua Portuguesa · Interpretação de Texto · Sem tema

Múltipla escolha CESGRANRIO 2024 Difícil

Texto associado Texto XVII Nos últimos vinte anos, houve um notável crescimento da presença evangélica no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de evangélicos no país aumentou consideravelmente. Em 2000, aproximadamente 15,4% da população brasileira se identificava como evangélica, enquanto em 2010 esse número já havia subido para cerca de 22,2%. A principal fonte de informação para essa estimação é o censo populacional. Contudo, uma pesquisa mais recente do Datafolha indica que os evangélicos já somam 31,0% da população brasileira. Em relação ao crescimento dos evangélicos no Brasil, a literatura acadêmica destaca que esse aumento tem sido mais pronunciado nas áreas urbanas, possivelmente devido à migração para as cidades e à maior oferta de igrejas e eventos religiosos nessas regiões. O uso eficaz de mídias e tecnologias, como rádio, televisão e redes sociais, tem desempenhado um papel importante na disseminação das mensagens religiosas e no recrutamento de novos membros. Também se destaca a estreita relação entre os evangélicos e a política brasileira, com o crescimento da influência desses grupos religiosos e a eleição de líderes evangélicos para cargos legislativos e executivos, impactando políticas públicas, percepções e valores da sociedade. A principal fonte de informação sobre as preferências religiosas da população brasileira é o censo populacional, realizado decenalmente, porém o último foi coletado em 2022, com dois anos de atraso em virtude da pandemia. Com base nas informações disponíveis no censo, é possível constatar o crescimento da religião evangélica no país nos últimos anos. Uma informação ainda não utilizada para mensurar o crescimento das religiões evangélicas no Brasilé o número de estabelecimentos religiosos e sua dispersão no território. Utilizando dados da Rais, entre 1998 e 2021, é possível observar, ao longo do tempo, a evolução no número desses estabelecimentos em cada município brasileiro. No entanto, o número total de estabelecimentos religiosos, apesar de interessante, não nos permite avaliar quais são as religiões que têm puxado o crescimento do número de igrejas ou em quais regiões cada denominação se encontra mais presente. Para isso, é necessário detalhar a classificação desses estabelecimentos, segundo a religião a que são vinculados. Uma das formas é a sua classificação pelo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). A Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, possui mais de 6.800 estabelecimentos espalhados pelo país, todos eles vinculados a uma única pessoa jurídica, ou seja, um único CNPJ. O mesmo acontece com a Igreja Quadrangular, com quase 5 mil estabelecimentos, todos eles pertencentes a uma única pessoa jurídica. DE NEGRI, F.; MACHADO, W.; CAVALCANTE, E. Crescimento dos estabelecimentos evangélicos no país nas últimas décadas. Nota Técnica n. 123. Rio de Janeiro: Ipea, nov. 2023. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/ bitstream/11058/12605/1/NT_123_Diset_crescimento_dos_ estabelecimentos.pdf. Acesso em: 24 dez. 2023. Adaptado. O segundo parágrafo do Texto XVII estabelece, com o primeiro parágrafo, uma relação de

a

analogia

b

conclusão

c

contraposição

d

detalhamento

e

hipótese

Resolva com gabarito comentado

Gabarito, explicação e revisão espaçada — tudo para fixar de verdade.

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CESGRANRIO 2025

Com crise atual, clima passa a ser visto como ator relevante na História Texto associado Atravessamos um período de urgente preocupação climática. No Brasil, seca intensa, incêndios devastadores em diversos biomas e desastres como as chuvas que atingiram o Sul do país em 2024. No mundo, inundações no Saara e, em muitos outros países, elevação das temperaturas e do nível do mar. Para o campo da história, apesar de hoje os estudos que tratam de mudanças climáticas se mostrarem mais atuais que nunca, esse não é um tema novo, uma vez que muitos autores nos séculos 18 e 19 já pensavam a saúde e a doença a partir de suas relações com o ambiente e o clima. Um pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) tem se dedicado a temas ambientais e às transformações ecológicas que caracterizam o chamado Antropoceno, termo que designa uma nova época geológica definida pelo impacto do homem na Terra. Ele analisa como a relação entre clima e saúde foi percebida ao longo da história, afirmando que as mudanças climáticas interferem na saúde, podendo influenciar na propagação de vetores — como mosquitos que transmitem doenças —, na qualidade das águas e do ar, na fisiologia dos organismos e na produção de alimentos. Para o pesquisador, a covid-19 trouxe à tona a discussão sobre a pandemia como parte de uma crise sistêmica, o que ocorreu não apenas entre cientistas e historiadores da doença e da medicina, mas também na esfera pública, na grande mídia e nas redes sociais. “Durante a pandemia, na imprensa, nas redes, ouvimos frases como ‘isso é uma expressão da crise ecológica’, ‘a humanidade é o vírus’. E essa questão não é supernova”. Ele afirma que há correntes nos séculos 18 e 19 que pensavam a saúde de forma abrangente e integrada ao meio ambiente. Isso é bastante claro no século 19, porque a própria maneira de conceber as inter-relações entre doença, corpo e ambiente tinha base nas ideias do neo-hipocratismo, de que os corpos precisam estar em equilíbrio com o ambiente e que o desequilíbrio causa a doença. Entre os estudos citados pelo pesquisador, consta uma pesquisa sobre a malária no interior de São Paulo, cuja proposta é pensar essas epidemias, conectando-as com a dinâmica do Tietê: “A malária é uma doença muito dependente de fatores ecológicos, muito ligada a questões climáticas, aos regimes hídricos. Ela convida a pensar a história das doenças não apenas como a narrativa da campanha de saúde pública focada em vacinas e antibióticos; essa é uma história que também envolve atores que pensaram doença e saúde de maneira a integrar as relações biológicas, as relações com o ambiente e com o clima”. A COC/Fiocruz tem uma forte tradição de pesquisas sobre a Amazônia. A razão disso, segundo o pesquisador, deve-se “à importância incontornável que a Amazônia tem nos estudos científicos e na saúde pública e pela própria densidade das pesquisas que vão se realizar a partir da segunda metade do século 20”. O bioma pode ser visto como uma representação dos processos e dos impactos globais que caracterizam o Antropoceno, refletindo as interações e as tensões entre os humanos e a natureza em uma área específica. “É quase um truísmo afirmar que é importante conservar a Amazônia por causa de seu papel na regulação climática, da chuva e do ciclo da água. A Amazônia é uma região vital para o equilíbrio do clima, da biodiversidade e dos recursos naturais, representando muitos dos desafios globais enfrentados em termos de conservação ambiental e impacto humano”. O pesquisador também destacou o caráter transnacional da própria Amazônia, que se estende por nove países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Venezuela e Suriname), acrescentando que o bioma ultrapassa as fronteiras políticas e que a história ambiental, por si só, já problematiza a ideia de uma história nacional, uma vez que rios, biomas e paisagens atravessam territórios. Além disso, sempre houve na região grandes projetos com financiamento de instituições internacionais e multilaterais. O pesquisador ressaltou ainda que há uma perspectiva na escrita da história de pensar a Amazônia de forma global desde a época colonial. Analisando a forma como a história lidou com o clima, o pesquisador afirma que por muito tempo as ciências sociais estiveram intimamente ligadas ao tema, no entanto, muitas vezes de maneira determinista, inclusive, justificando o colonialismo: “as ideias sobre clima, em muitos casos, envolveram uma visão racista a partir do pensamento de que povos, clima e ambiente tinham seus respectivos lugares. Isso foi uma estrutura para a legitimação científica do conceito de raça. Ou seja, assim como plantas e animais são ligados a ambientes específicos, o mesmo aconteceria com as raças humanas. Então, por muito tempo, a questão do clima, do ambiente, foi muito ligada a essa visão determinista, que teve consequências danosas ao servir de suporte para o racismo e o colonialismo”. Para ele, no entanto, agora, com a emergência da questão das mudanças climáticas contemporâneas, o clima vem sendo recuperado como “partícipe da história” e não mais a partir da ideia de que o clima determina a história e o caráter da sociedade. “Não é mais possível pensar processos climáticos sem considerar seus enredamentos com agência humana, com as organizações sociais e os processos políticos”. MANNHEIMER, Vivian. Com crise atual, clima passa a ser visto como ator relevante na História. Agência Fiocruz de Notícia, 12 nov. 2024. Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/com-crise- atual-clima-passa-ser-visto-como-ator-relevante-na-historia. Acesso em: 18 jan. 2025. Adaptado. Segundo as informações apresentadas no texto, os estudos sobre as relações do homem com o ambiente e o clima

Sem tema ·Língua Portuguesa Difícil

CESGRANRIO 2024

Texto associado Texto VII A estruturação e o crescimento do mercado de trabalho têm evidentes relações com a Previdência Social. A macrorrelação mais direta, que até certo ponto dispensaria demonstração, é a alta correlação positiva da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a partir de certo patamar, com a formalização de contratos previdenciários — de empregados e de outros vínculos contributivos. Mas há também outros determinantes que podem causar formalização previdenciária, mesmo quando não se observa clara tendência de um ciclo econômico expansivo na economia em seu conjunto (ex-Previdência Rural a partir de 1991, por exemplo). Um breve retrospecto histórico da relação ciclo econômico e formalização/informalização na Previdência Social pode ser visto nos gráficos 1, 2 e 3 adiante. Nos dois primeiros descreve-se a evolução do emprego formal (com vínculo previdenciário), com a utilização das taxas de crescimento, e a paralela evolução das taxas de crescimento do PIB no período 1980-2005. Para as três décadas iniciais (1950-1980), que compõem a fase ascendente do ciclo de industrialização e formalização do pós- Guerra, utilizou-se a taxa de incremento médio do pessoal ocupado na indústria como proxy do emprego formal. Foi usada a mesma variável para o período 1981-1998. A partir deste último ano, valemo-nos das informações diretas de emprego formal de vários indicadores do Instituto Brasileiro de Geografiae Estatística (IBGE) e do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) (gráfico 2). O terceiro gráfico, que reflete o movimento cíclico do período, capta uma variável-estoque — a proporção de trabalhadores formais na populaçãoeconomicamente ativa (PEA) em cada momento do ciclo econômico, como se observa a seguir. DELGADO, G. Diagnóstico do mercado de trabalho para a Previdência Social - 1980-2006. Nota Técnica n. 3. Brasília, DF: Ipea, 2007. p. 7. Disponível em: https://portalantigo.ipea.gov.br/ portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/2007_nt03_marco_ disoc.pdf . Acesso em: 29 nov. 2023. Adaptado. Ao dizer, no primeiro parágrafo do Texto VII, que a macrorrelação mais direta “até certo ponto dispensaria demonstração”, o autor do texto está indicando que o(a)

Sem tema ·Língua Portuguesa Difícil

CESGRANRIO 2026

Texto associado Dívidas: fatores comportamentais e seus efeitos psicológicos As dívidas têm sido uma realidade comum na vida de muitas pessoas. No Brasil, de acordo com o Mapa da Inadimplência e Negociações de Dívidas da Serasa, existem atualmente cerca de 71,44 milhões de pessoas em situação de inadimplência, o que corresponde a 43,85% da população total. O endividamento pode surgir devido a diversos fatores, desde questões sociais e econômicas, como também financeiras de ordem individual, como gastos excessivos, despesas ou situações imprevistas. No entanto, além desses aspectos socioeconômicos e financeiros, é importante identificar e compreender os aspectos psicológicos, como os fatores comportamentais e os efeitos psicológicos que envolvem o endividamento, a fim de desenvolver habilidades financeiras adequadas para alcançar uma saúde financeira sustentável. Um dos principais fatores do endividamento está relacionado ao comportamento de consumo impulsivo. Pesquisadores que se dedicam a esse tema destacam alguns fatores da personalidade associados à dívida e, dentre eles, está a impulsividade, ou falta de autocontrole, como fator de disposição que pode aumentar o risco de contrair dívidas. Muitas vezes, as pessoas recorrem a compras por impulso ou usam o consumo como uma forma de lidar com o estresse, a tristeza ou outras emoções negativas. O impulso de comprar, desse modo, sem considerar as consequências financeiras a longo prazo, é um comportamento que pode levar ao acúmulo de dívidas e à falta de controle sobre as finanças pessoais. Além disso, ferramentas relacionadas às mídias sociais podem desempenhar um papel importante na criação de desejos e necessidades que podem levar as pessoas a gastarem além de suas possibilidades financeiras. Aliados a esse cenário, comportamentos que envolvem a comparação social e o materialismo podem contribuir para o endividamento. Muitas vezes, a partir de comparações entre grupos, as pessoas se sentem pressionadas a seguir padrões de consumo e estilo de vida que não condizem com suas reais condições financeiras. A necessidade de acompanhar o padrão de vida de outras pessoas ou a busca por status social pode levar ao uso de crédito e à acumulação de dívidas. A falta de organização e planejamento financeiro é outro fator comportamental relevante no acúmulo de dívidas. Muitas pessoas não estabelecem um orçamento adequado, não monitoram suas despesas ou não fazem uma reserva de emergência. A ausência de um planejamento financeiro bem estruturado dificulta o controle das finanças pessoais e contribui para o risco de endividamento. A ausência de educação financeira também contribui para o problema das dívidas. A falta de conhecimento sobre como administrar o dinheiro, criar um orçamento e fazer escolhas financeiras conscientes aumenta a probabilidade de cair em armadilhas de endividamento. De acordo com especialistas, o tipo de socialização econômica que as crianças e os jovens recebem varia, por exemplo, e isso pode fazer diferença para eles se endividarem quando adultos. Estudos evidenciaram que a dívida adulta é mais provável quando há falta de orientação financeira. É consensual, desse modo, que a aprendizagem de melhores habilidades de gerenciamento de dinheiro é considerada um importante mecanismo para um menor risco de dívida. Como consequência, o endividamento está associado a uma ampla gama de efeitos psicológicos nocivos, como estresse e ansiedade de níveis significativos, depressão, redução da satisfação conjugal, entre outros. A preocupação constante com as dívidas, o medo de não conseguir pagar as contas e a sensação de estar preso em uma situação financeira difícil têm um impacto negativo na saúde mental. O estresse financeiro pode levar a problemas de sono, irritabilidade, baixa autoestima, depressão e dificuldades de concentração. Esses efeitos psicológicos podem agravar ainda mais a situação financeira e dificultar a busca de soluções e tomada de decisões. Além disso, como efeito psicológico do endividamento, podem ocorrer também sentimentos relacionados à culpa, à vergonha e ao fracasso, emoções conhecidas como tensão financeira. As pessoas podem se sentir inadequadas ou fracassadas por não conseguirem lidar com suas finanças adequadamente. Esses sentimentos podem afetar negativamente a autoestima e a autoconfiança, dificultando a busca por ajuda e soluções para o problema, além de enfraquecer a saúde mental e levar a um comportamento de enfrentamento que é prejudicial à saúde. A compreensão desses fatores emocionais é essencial para que possamos desenvolver estratégias eficazes de controle de gastos e evitar o endividamento desnecessário. O processo de lidar com as dívidas envolve mudanças comportamentais, como o desenvolvimento de hábitos de consumo conscientes, a elaboração de um plano de pagamento de dívidas e a criação de um fundo de emergência. Também é importante desenvolver uma mentalidade de longo prazo, priorizando metas financeiras realistas e evitando a pressão social para consumir além das próprias possibilidades. É crucial, assim, abordar questões relacionadas a dívidas de forma holística, considerando os aspectos financeiros e sociais, como também os fatores comportamentais e os efeitos psicológicos das dívidas. O endividamento afeta não apenas as finanças pessoais, mas também a saúde emocional e psicológica das pessoas. Compreender os fatores comportamentais envolvidos no acúmulo de dívidas e estar ciente dos efeitos psicológicos é essencial para buscar soluções efetivas e promover uma saúde financeira sustentável. A educação financeira, aliada à compreensão psicológica/emocional, desempenha um papel fundamental na prevenção e na resolução do endividamento. CAMPELO, Maria Adriana. Portal do investidor. In: gov.br. 22 jun. 23. Disponível em: https://www.gov.br/investidor/pt-br/ penso-logo-invisto/dividas-fatores-comportamentais-e-seus- -efeitos-psicologicos. Acesso em: 28 out. 25. Adaptado. Na organização do texto, os parágrafos 2, 4 e 5 têm a função de

Sem tema ·Língua Portuguesa Média

CESGRANRIO 2024

Texto associado Texto V Os resultados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) para o triênio de 2014 a 2017 foram divulgados recentemente. Realizada desde 2000, ela vem consistentemente ampliando seu alcance, o que permite investigar tendências setoriais específicas sobre a capacidade inovativa e tecnológica das empresas brasileiras. Alguns dos setores econômicos que estão no foco do debate público atual são os setores de medicamentos e de equipamentos e insumos médicohospitalares. Por um lado, a descoberta de uma vacina ou um remédio que cure a Covid-19 é tida como a solução definitiva para o problema — num cenáriode longo prazo; por outro lado, a disponibilização tempestiva de respiradores mecânicos, máscaras, luvas e leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) é imprescindível para que o Sistema Único de Saúde (SUS) consiga suportar a pressão nesses estágios agudos da crise — num cenário de curto prazo. Diante disso, o objetivo desta nota técnica é realizar uma descrição analítica da intensidade tecnológica e de inovação dos segmentos industriais do chamado complexo industrial da saúde, à luz dos dados da Pintec e em comparação com alguns países selecionados. Vale advertir que as informações captadas na pesquisa não permitem responder a perguntas específicas sobre determinados produtos, como algum tipo de medicamento, algum tipo de insumo hospitalar ou algum tipo de equipamento médico. O que os dados sobre os quais nos debruçamos permitem é analisar a evolução e o nível do esforço inovador e tecnológico do complexo industrial da saúde brasileiro. LEÃO, R.; GIESTEIRA, L. F. O complexo industrial da saúde na Pintec 2017. Nota Técnica n. 62. Brasília, DF: Ipea, 2020. p. 7. Disponível em: https://portalantigo.ipea.gov.br/portal/images/ stories/PDFs/nota_tecnica/200514_nt_diset_n62_web.pdf. Acesso em: 29 nov. 2023. As informações do segundo parágrafo do Texto V cumprem a função de

Sem tema ·Língua Portuguesa Fácil

CESGRANRIO 2026

Texto associado Dívidas: fatores comportamentais e seus efeitos psicológicos As dívidas têm sido uma realidade comum na vida de muitas pessoas. No Brasil, de acordo com o Mapa da Inadimplência e Negociações de Dívidas da Serasa, existem atualmente cerca de 71,44 milhões de pessoas em situação de inadimplência, o que corresponde a 43,85% da população total. O endividamento pode surgir devido a diversos fatores, desde questões sociais e econômicas, como também financeiras de ordem individual, como gastos excessivos, despesas ou situações imprevistas. No entanto, além desses aspectos socioeconômicos e financeiros, é importante identificar e compreender os aspectos psicológicos, como os fatores comportamentais e os efeitos psicológicos que envolvem o endividamento, a fim de desenvolver habilidades financeiras adequadas para alcançar uma saúde financeira sustentável. Um dos principais fatores do endividamento está relacionado ao comportamento de consumo impulsivo. Pesquisadores que se dedicam a esse tema destacam alguns fatores da personalidade associados à dívida e, dentre eles, está a impulsividade, ou falta de autocontrole, como fator de disposição que pode aumentar o risco de contrair dívidas. Muitas vezes, as pessoas recorrem a compras por impulso ou usam o consumo como uma forma de lidar com o estresse, a tristeza ou outras emoções negativas. O impulso de comprar, desse modo, sem considerar as consequências financeiras a longo prazo, é um comportamento que pode levar ao acúmulo de dívidas e à falta de controle sobre as finanças pessoais. Além disso, ferramentas relacionadas às mídias sociais podem desempenhar um papel importante na criação de desejos e necessidades que podem levar as pessoas a gastarem além de suas possibilidades financeiras. Aliados a esse cenário, comportamentos que envolvem a comparação social e o materialismo podem contribuir para o endividamento. Muitas vezes, a partir de comparações entre grupos, as pessoas se sentem pressionadas a seguir padrões de consumo e estilo de vida que não condizem com suas reais condições financeiras. A necessidade de acompanhar o padrão de vida de outras pessoas ou a busca por status social pode levar ao uso de crédito e à acumulação de dívidas. A falta de organização e planejamento financeiro é outro fator comportamental relevante no acúmulo de dívidas. Muitas pessoas não estabelecem um orçamento adequado, não monitoram suas despesas ou não fazem uma reserva de emergência. A ausência de um planejamento financeiro bem estruturado dificulta o controle das finanças pessoais e contribui para o risco de endividamento. A ausência de educação financeira também contribui para o problema das dívidas. A falta de conhecimento sobre como administrar o dinheiro, criar um orçamento e fazer escolhas financeiras conscientes aumenta a probabilidade de cair em armadilhas de endividamento. De acordo com especialistas, o tipo de socialização econômica que as crianças e os jovens recebem varia, por exemplo, e isso pode fazer diferença para eles se endividarem quando adultos. Estudos evidenciaram que a dívida adulta é mais provável quando há falta de orientação financeira. É consensual, desse modo, que a aprendizagem de melhores habilidades de gerenciamento de dinheiro é considerada um importante mecanismo para um menor risco de dívida. Como consequência, o endividamento está associado a uma ampla gama de efeitos psicológicos nocivos, como estresse e ansiedade de níveis significativos, depressão, redução da satisfação conjugal, entre outros. A preocupação constante com as dívidas, o medo de não conseguir pagar as contas e a sensação de estar preso em uma situação financeira difícil têm um impacto negativo na saúde mental. O estresse financeiro pode levar a problemas de sono, irritabilidade, baixa autoestima, depressão e dificuldades de concentração. Esses efeitos psicológicos podem agravar ainda mais a situação financeira e dificultar a busca de soluções e tomada de decisões. Além disso, como efeito psicológico do endividamento, podem ocorrer também sentimentos relacionados à culpa, à vergonha e ao fracasso, emoções conhecidas como tensão financeira. As pessoas podem se sentir inadequadas ou fracassadas por não conseguirem lidar com suas finanças adequadamente. Esses sentimentos podem afetar negativamente a autoestima e a autoconfiança, dificultando a busca por ajuda e soluções para o problema, além de enfraquecer a saúde mental e levar a um comportamento de enfrentamento que é prejudicial à saúde. A compreensão desses fatores emocionais é essencial para que possamos desenvolver estratégias eficazes de controle de gastos e evitar o endividamento desnecessário. O processo de lidar com as dívidas envolve mudanças comportamentais, como o desenvolvimento de hábitos de consumo conscientes, a elaboração de um plano de pagamento de dívidas e a criação de um fundo de emergência. Também é importante desenvolver uma mentalidade de longo prazo, priorizando metas financeiras realistas e evitando a pressão social para consumir além das próprias possibilidades. É crucial, assim, abordar questões relacionadas a dívidas de forma holística, considerando os aspectos financeiros e sociais, como também os fatores comportamentais e os efeitos psicológicos das dívidas. O endividamento afeta não apenas as finanças pessoais, mas também a saúde emocional e psicológica das pessoas. Compreender os fatores comportamentais envolvidos no acúmulo de dívidas e estar ciente dos efeitos psicológicos é essencial para buscar soluções efetivas e promover uma saúde financeira sustentável. A educação financeira, aliada à compreensão psicológica/emocional, desempenha um papel fundamental na prevenção e na resolução do endividamento. CAMPELO, Maria Adriana. Portal do investidor. In: gov.br. 22 jun. 23. Disponível em: https://www.gov.br/investidor/pt-br/ penso-logo-invisto/dividas-fatores-comportamentais-e-seus- -efeitos-psicologicos. Acesso em: 28 out. 25. Adaptado. O texto afirma que o comportamento de consumo impulsivo

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CESGRANRIO 2024

Texto associado Vale tudo pela sua atenção nas redes sociais? Quando chegou ao Brasil, a internet surgiu como uma espécie de “terra de ninguém”. Apesar do sentido aparentemente depreciativo da expressão, a então chamada “rede mundial de computadores” era um território descentralizado e não dominado por buscadores de conteúdo. Sites possuíam endereços virtuais difíceis de serem memorizados, e as primeiras formas de comunicação em tempo real envolviam a criação de personas virtuais, incluindo aí nicknames que mascaravam as identidades reais dos usuários. Quase 30 anos depois, o cenário atual não poderia ser mais diferente. O que era anárquico se tornou por demais regrado, o que pode ser positivo, por exemplo, quando se discute mais ativamente a importância da privacidade e da proteção de dados na rede, ou insuficiente, em função do avanço indiscriminado das notícias falsas (as fake news, em inglês), que explora brechas nos termos de responsabilidade elaborados pelas grandes plataformas privadas. Com a introdução de redes sociais, que atualmente têm uma base de milhões de usuários mensais no Brasil, a utilização de nomes reais associados a fotos de perfil mudou para sempre a forma como nos apresentamos e nos comportamos na internet. E, a partir dessa mudança, começaram a surgir figuras que hoje disputam nossa atenção e rivalizam até mesmo com o poder das grandes emissoras. Os chamados influenciadores (ou influencers, em inglês) se tornaram as figuras mais proeminentes das redes sociais e das plataformas de conteúdo. Se redes sociais fossem nações, os influenciadores seriam seus mais notáveis embaixadores. Influenciador, no discurso “comum”, é uma pessoa que tem um grande número de seguidores e influencia pessoas. Armados com diferentes tipos de retórica, os influenciadores se distinguem não apenas pela plataforma ou canal no qual se fazem mais presentes, mas também pelos diferentes usos de linguagem que utilizam para atingir seus públicos. “Tem influenciador que tem linguagem muito simples, que simplesmente se apoia no seu carisma. Outros são influenciadores que se estabelecem porque eles têm algum conhecimento técnico, como esses da área de ciências que divulgam orientações sobre vacinas, por exemplo. Não tem uma regra geral”, classifica um professor da USP. Os influenciadores disseminam opiniões pessoais e memes – fragmentos de texto, imagem, vídeos, GIFs relacionados ao humor, que se espalham rapidamente pela rede. “O humor é uma ferramenta comunicacional poderosa, que possui inerente a si uma gratificante recompensa ao ouvinte que absorve determinada informação: o riso. Ao abordar temas complexos, ou até temas de baixa motivação, através do riso, um indivíduo pode conseguir para si a atenção de que ele necessita para que sua mensagem passe adiante. O humor faz uso e reforça estereótipos, além de frequentemente ter um alvo que é vítima de um infortúnio.”, segundo outro pesquisador. “Influencer é um fenômeno que já existia, mas eles eram pessoas proeminentes numa comunidade, você não tinha acesso direto. Se você não tivesse contato com essas pessoas, elas não te influenciavam. O que as mídias sociais fizeram é que agora esses influenciadores estão ali, ainda que você não conheça, não frequente, que não faça parte do seu bairro, sua escola ou local de trabalho. Agora você consegue achá-los sem ter um contato direto”, reitera o professor, ao reforçar que foram as plataformas de mídia social que mudaram nosso acesso aos influenciadores e os empoderaram. PACHECO, D. Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp. br/atualidades/vale-tudo-pela-sua-atencao-nas-redes-sociais/. Acesso em: 10 jun. 2020. Adaptado. De acordo com o texto, uma mudança decisiva na forma de uso das redes sociais se deve à

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